O Brasil é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade de água. Tem a maior reserva de água doce da Terra, ou seja 12% do total mundial. Sua distribuição, porém, não é uniforme em todo o território nacional. A Amazônia, por exemplo, é uma região que detém a maior bacia fluvial do mundo. O volume d’água do rio Amazonas é o maior do globo, sendo considerado um rio essencial para o planeta. Ao mesmo tempo, é também uma das regiões menos habitadas do Brasil.
Em contrapartida, as maiores concentrações populacionais do país encontram-se nas capitais, distantes dos grandes rios brasileiros, como o Amazonas, o São Francisco e o Paraná. O maior problema de escassez ainda é no Nordeste, onde a falta d’água por longos períodos vastiga a população. Com base nesses fatos o projeto de integração do São Francisco com as bacias do sertão nordestino prevê a transferência de águas para abastecer rios e açudes da região que possuem pouca água durante os períodos de seca. Como vem sendo divulgado, é um empreendimento prioritário do governo federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, destinado a assegurar a oferta de água, em 2025, a cerca de 12 milhões de habitantes de pequenas, médias e grandes cidades da região semi-árida dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
No Rio Grande do Norte a transposição do ‘‘Velho Chico’’ será, informa o Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn), responsável pelo aumento da garantia da oferta hídrica proporcionada pelos dois maiores reservatórios estaduais (Santa Cruz e Armando Ribeiro Gonçalves) responsáveis pelo suprimento de água para os diversos usos da maior parte da população das bacias do Apodi, Piranhas-Assu, Ceará-Mirim e Faixa Litorânea Norte. Com a perenização dos rios Apodi e Piranhas-Assu, a transposição disponibilizará uma fonte hídrica permanente para as populações de mais de 60 municípios localizados nestas duas bacias hidrográficas. Já foram instaladas onze estações nas bacias do Piranhas-Assu e Apodi-Mossoró, dentro das ações do PISF, para o monitoramento hidráulico e hidrológico.
O diretor geral do Igarn e membro do Conselho Gestor do Sistema de Gestão do Projeto de Integração do Rio São Francisco, Celso Veiga, explica que os estados receptores precisam estar aparelhados para melhor gerenciar as águas que serão recebidas. Neste sentido, a Agência Nacional de Águas (ANA), em parceria com o governo do Rio Grande do Norte, promoveram no primeiro semestre de 2008, cursos de capacitação em operações de reservatórios no semi-árido e instalação e manutenção de plataformas de coleta de dados hidrológicos.
A integração do rio São Francisco às bacias dos rios temporários do semi-árido será possível com a retirada contínua de 26,4 metros cúbicos de água, o equivalente a 1,4 % da vazão garantida pela barragem de Sobradinho (1850 metros cúbicos) no trecho do rio onde se dará a captação. Este montante hídrico será destinado ao consumo da população urbana de 390 municípios do Agreste e do Sertão do quatro estados do Nordeste Setentrional. Nos anos em que o reservatório de Sobradinho estiver vertendo, o volume captado poderá ser ampliado para até 127 metros cúbicos, contribuindo para o aumento da garantia de oferta de água para múltiplos usos.
POLÊMICA
No mês que comemora o dia Mundial da Água, é importante lembrar e entender sobre a Transposição do Rio São Francisco. Muitos pontos do projeto estão sendo questionados pelo seu impacto e capacidade de beneficiar as populações ribeirinhas. Os oposicionistas ao projeto afirmam que os grandes beneficiados serão produtores instalados na região. Ouro ponto questionado é o possível risco de vida do rio, uma vez que a oferta de água despertará o interesse de mais produtores na região. Além do RN, Paraíba e Ceará serão beneficiados com a transposição que é defendida desde de Dom Pedro II como solução à seca nordestina.
Fonte: Diário de Natal

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