Depois de refletir sobre a problemática da violência escolar, educadores, gestores pedagógicos e representantes do movimento estudantil reafirmaram, durante o I Seminário sobre o Papel da Educação na Cultura de Paz, realizado no dia 8 de outubro, a necessidade de implantação do Conselho Estadual de Educação para Paz.
A criação do conselho está prevista na Lei 8.814/2006, do deputado estudual Fernando Mineiro. O grupo deverá ser composto por educadores, pais, membros do Estado e representantes de instituições educações. Ele terá função de articular, junto a crianças e adolescentes, ações educativas de valorização e conscientização da vida.
Conheça a lei
Só neste ano letivo, a Secretaria de Educação do Estado já registrou 1.563 ocorrências de indisciplina no âmbito das escolas públicas do Rio Grande do Norte, especialmente na Grande Natal. De acordo com a técnica da Subcoordenadoria Inspeção Escolar (Soinspe), Eurilene Balbi, esses números não representam atos de violência nem de agressão, mas são os indícios de que a escola, a sociedade e o poder público precisam se preocupar com o problema.
Durante o seminário, as escolas estaduais Josefa Sampaio e Francisco Ivo cavalcanti, socializaram projetos educacionais que já desenvolvem, com sucesso, voltados para ações educacionais de paz na escola: "Paz é um bem necessário na escola e na família" e "Projeto Vida", respectivamente. O pimeiro existe há seis anos e o segundo há dez.
"No Pojeto Vida, nós desenvolvemos ações nas diversas disciplinas do conhecimento no sentido de valorizar a vida. Sempre repassando os valores para construção da paz. Em matemática, por exemplo, depois de realizar pesquisa e descobrirem os números de violência em Natal, os alunos fazem tabulação e constroem gráficos. Em outro momento, trabalham possíveis soluções para redução desses números", explicou a pedagoga Cecília Maria de Paiva, uma das coordenadoras do projeto na Escola Francisco Ivo.
Mineiro participou do debate, apresentou a lei e lamentou, diante da ausência de representantes do Estado, a impossibilidade de implantação do conselho durante o evento. "Não é a polícia que vai resolver o problema da violência no âmbito escolar. É preciso juntar poder público e sociedade de maneira institucionalizada para desenvolver ações educativas de combate e prevenção" enfatizou, "Precisaremos voltar a nos reunir com a governadora e com o secretário para instituir o conselho. A institucionalização é o próximo passo para que consigamos levar a outras escolas os trabalhos positivos que as escolas Josefa Sampaio e Francisco Ivo já realizam", concluiu o deputado.
O coordenador da Comissão Educação para a Paz da Secretaria Estadual de Educação, João Maria Mendonça, responsável pela realização do seminário, afirmou que todas as pessoas e instituições envolvidas e necessárias para oficialização do conselho haviam sido convidadas. "Infelizmente, nem todas puderam estar presentes", disse João Maria.