
Historicamente, a região Seridó do Rio Grande do Norte, localizada no semi-árido do Nordeste se desenvolveu a partir da criação de gado utilizando o solo para o cultivo de pastagens, além do ciclo do algodão, do minério e, nos últimos anos, a intensa produção ceramista. No entanto, essas atividades econômicas foram, ao longo dos anos, provocando um processo de desertificação.
Entre as ações para conter o problema, a realização do II Seminário de Combate à Desertificação ocorrido na última terça-feira, 1no auditório da Emater-RN, ouviu todos os atores envolvidos na problemática, para em parceria construírem o Plano de Combate à Desertificação no RN. O Seminário ocorre no Dia Mundial de Combate à Desertificação.
“Sabemos muito mais sobre os problemas da Amazônia do que sobre a desertificação em nosso estado”. Foi com essa frase que o Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, Fernando Mineiro iniciou a apresentação Proposta da Agenda de Compromissos de Combate à Desertificação. O desconhecimento a cerca dos problemas ambientais específicos do Rio grande do Norte é a primeira barreira a ser vencida.
A agenda é apenas um esboço inicial com as sugestões das demandas apresentadas nas conferências de meio ambiente. O deputado enfatiza a urgência na elaboração de um plano estadual de combate à desertificação “o que se tem hoje no estado são apenas uma série de ações, e não um plano integrado de combate à desertificação”, afirmou Mineiro.
A descentralização do IDEMA foi um dos pontos destacados na leitura da Agenda de Compromisso. Mineiro acrescenta que o IDEMA é um órgão que precisa está presente em todas as regiões do estado, e a sua descentralização é necessária para que se realize um trabalho eficaz.
SEMINÁRIO
O Governo do Estado já vem realizando algumas ações para evitar a desertificação, como a execução do Programa de Desenvolvimento Solidário e o Programa de Desenvolvimento Sustentável e Convivência com o Semi-árido Potiguar. A governadora Wilma de Faria assinou hoje em Brasília novos contratos de empréstimos e contrapartidas junto ao Banco Mundial, com investimentos na ordem de US$ 821,5 milhões. Isso que equivale a quase R$ 135 milhões para execução em ações de combate à seca e à pobreza rural, como a construção de barragens submersas, açudes e cisternas.
Um aspecto que pode ser levado em consideração nessa luta de combate à desertificação da região Seridó (mais afetada com o fenômeno no RN), é a diferença exatamente no ponto em que a região apresenta os melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e os maiores pontos de desertificação.
NÚMEROS PREOCUPANTES
Participante do seminário, o coordenador nacional de Combate à Desertificação, José Roberto Lima, ressalta que o processo de desertificação no semi-árido brasileiro "é grave", pois existe um avanço de 3,6% ao ano no tamanho das áreas desertificadas, contribuindo para uma queda na produtividade do solo, que hoje alcança uma média de 2% ao ano. Para ele, esse processo é uma reação em cadeia e as mudanças climáticas são absolutamente o reflexo da ação e da intervenção humana.
Segundo Roberto Lima, ações que colaboram para a exposição do solo, as queimadas, e a diminuição da biodiversidade, contribuem diretamente para fenômenos como a migração desenfreada para os grandes centros e o aumento da pobreza. Ele destaca que "a seca é um fenômeno natural e é possível conviver com ela", repudiando as ações descontroladas e que provocam o processo de degradação ambiental. Roberto Lima lembra que é preciso ações para que as futuras gerações não recebam um legado sem conserto, ou seja, um país deserto. "Não se pode esperar que tudo aconteça. Temos que ser proativos", destaca.
Para o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural do Ministério do Meio Ambiente, Ergon Krakhechk, "é importante que seja realizado o zoneamento ecológico e econômico da região Seridó, que precisa enfrentar o problema da desertificação", citando que a região tem uma atenção especial, principalmente pelo fato de estar inserida em programas do Governo Federal como um que constrói e distribui cisternas para armazenamento dágua.
Krakhechk destaca que a realização do zoneamento da região vai permitir que sejam apontadas as atividades sócio-econômicas sustentáveis que podem ser desenvolvidas na região, levando em consideração as fragilidades ambientais.
De acordo com o diretor técnico do Idema, Fábio Góis, o zoneamento vai identificar as áreas em situação crítica e o que deve ser feito para que ocorra uma recuperação, além do fato de apontar que atividades econômicas são ideais para a região. Ele lembra que, historicamente, a região se desenvolveu baseada economicamente através da pecuária e que outras atividades também contribuíram para o processo de desertificação.
Vista como uma das vilãs do processo de desertificação da região, as cerâmicas, segundo Fábio Góis, estão passando por um processo de licenciamento ambiental, uma vez que sua instalação na região é anterior à implantação da legislação ambiental. Esse controle, que vem sendo desenvolvido pelo Idema, tem o objetivo de buscar uma sustentabilidade do negócio, principalmente no que se refere à origem da argila e da lenha utilizada. Além dos municípios da região, o diretor técnico do Idema destaca que 157 municípios do RN estão localizados na região semi-árida com vegetação de caatinga, sendo necessário à extensão do trabalho de preservação e combate à desertificação.
Fonte: Assessoria do Mandato

04.03.10
A sessão da Assembleia Legislativa da terça-feira passada (2) foi animada e gerou muitas manchetes e...

Cadastre-se para receber nosso informativo digital. Abaixo, leia as últimas edições.





Hotsite especial com matérias de jornais, artigos, cartilhas e notícias sobre o assunto.

Dados e estatísticas completas sobre todos os municípios do RN.

Site especial com toda legislação ambiental e diversos outros temas sobre meio ambiente.