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23.09.2008
Tido como um verdadeiro marco do turismo de segunda residência no Rio Grande do Norte, o Elegance Natal Golf poderá ser retomado no primeiro semestre do próximo ano bem menos robusto do que inicialmente projetado, mas com perspectivas de abrir caminho a novos investimentos do grupo espanhol Sánchez no estado, onde conta com quase 2 mil hectares em áreas de terrenos e pretende apostar também em primeira residência. Os executivos do grupo evitam falar em datas e revelar mais detalhes sobre os planos, mas esperam até dezembro deste ano ter o Elegance 100% licenciado para tocar as obras e a divulgação adiante.
O tamanho da área de propriedade do Sánchez no estado é equivalente ao que ocuparia inicialmente o super-complexo e, para efeito de comparação, equivale a 3 mil campos de futebol. O fato é que do terreno do Elegance Natal Golf, apenas 145 hectares pertencem ao grupo. O restante é da Spel, parceira local dos espanhóis no projeto. ‘‘Não temos prazo fechado, mas esperamos retomar o projeto na nossa área no primeiro semestre de 2009’’, disse o controller geral do Sánchez Brasil, Airton Nelson, em entrevista ao Diário de Natal ontem. Antes da retomada, os investidores cumprem exigências do Ministério Público estadual e do Instituto de Defesa do Meio Ambiente (Idema). Estão apresentando detalhes do projeto de infra-estrutura e documentos relacionados aos impactos da obra, por exemplo, sobre o meio ambiente. ‘‘Vamos torcer para, até o fim do ano ter isso resolvido’’, pontuou ainda o executivo.
O grupo Sánchez chegou ao Rio Grande do Norte em 2005 e desde então vem trabalhando basicamente na viabilização do resort, instalado entre as praias de Pitangui e Graçandú, no litoral norte potiguar. O empreendimento vem sendo desenvolvido em parceria com a Spel, do empresário Paulo de Paula - o grupo espanhol não confirma rumores sobre uma possível cisão da sociedade - e acabou entrando este ano na mira do Ministério Público. Os problemas começaram quando a promotora do Meio Ambiente de Extremoz, Ethel Ribeiro solicitou o cancelamento das licenças para a obra, concedidas pelo Idema, por acreditar que não haviam sido considerados, por exemplo, impactos que o projeto pode causar na região. Um termo de compromisso recentemente publicado no Diário Oficial do Estado sinaliza, porém, que o impasse caminha para chegar ao fim.
‘‘A direção do grupo apostou muito em Natal e está agindo com cautela. Espera o desenrolar dos fatos para pensar em novos investimentos’’, observa Nelson, confirmando, porém, que há outros projetos do grupo no gatilho. O Sánchez, segundo ele, tem quase 2 mil hectares de áreas no litoral potiguar e interesse de desenvolver projetos de primeira e segunda residência voltados não só para estrangeiros. ‘‘Temos empreendimentos em fase de licenciamento e também em estudo’’, limitou-se a dizer, sem revelar quanto haveria em caixa para investir.
Além dos problemas envolvendo o Ministério Público este ano foi marcado pelo pedido de ‘‘Suspensão de Pagos’’, uma espécie de concordata do grupo, na Espanha. O pedido não teria, porém, reduzido o apetite do grupo por investimentos em território potiguar. Segundo o controller geral, há cerca de quatro anos vem sendo desenvolvido o Elegance Natal Golf, período que incluiu, por exemplo, identificação da área, desenvolvimento de estudos ambientais e do trabalho de marketing, até o momento focado no exterior. A divulgação garantiu a reserva de 40% das 1.270 unidades previstas para a primeira fase do empreendimento, antes mesmo de o projeto ser lançado. Da maneira que foi projetado, o resort representaria um invetsimento de 3 bilhões de euros e ficaria pronto em 10 anos.
Fonte: Diário de Natal
Tags: Crimes ambientais, Meio Ambiente