O poema abaixo foi utilizado em cartaz de campanha do, na época, vereador Fernando Mineiro.
Os filhos da Paixão, de Pedro Tierra
Nascemos num campo de futebol
Haverá berço melhor para dar á luz uma estrela?
Aprendemos que os donos do país só nos ouviam
quando cessava o rumor da última máquina...
Quando cantava o arame cortado da última cerca...
Carregávamos no peito, cada um, batalhas incontáveis.
Somos a perigosa memória das lutas
Projetamos a perigosa imagem do sonho
Nada causa mais horror à ordem
do que homens e mulheres que sonham.
Nós sonhamos. E organizamos o sonho.
Nascemos negros, nordestinos, nisseis, índios,
mulheres, mulatas, meninas de todas as cores,
filhos, netos de italianos, alemães, árabes, judeus,
portugueses, espanhóis, poloneses, tantos...
Nascemos assim desiguais, como todos os sonhos humanos.
Fomos batizados na pia, na água dos rios, nos terreiros
Fomos, ao nascer, condenados
a amar a diferença.
A amar os diferentes.
Viemos da margem.
Somos a anti-sinfonia
que estorna da estreita pautada melodia.
Não cabemos dentro da moldura...
Somos dilacerados como todos os filhos da paixão.
Briguentos. Desaforados. Unidos. Livres:
como meninos de rua.
Quando o inimigo não fustiga,
inventamos nossas próprias guerras.
Desenvolvemos um talento prodigioso para elas...
Com nossas mãos, sonhos, desavenças
compomos um rosto de peão,
uma voz rouca de peão,
o desassombro dos peões
para oferecer aos país,
para disputar o país.
Por sua boca dissemos, na fábrica, nos estádios, nas praças
que este país não tem mais donos.
Em 84 viramos multidão, inundamos as ruas.
Somamos nosso grito ao grito de todos. Depois,
gritamos sozinhos
E choramos a derrota sob nossas bandeiras.
Dos ventos que desatamos
88: Como aprender a governar e desenhar
em cada passo, em cada gesto, a cada dia
a vida nova que nossa boca anunciou?
89: encarnamos a tempestade. Assombrados pela Vertigem,
venceu a solidez da mentira, do preconceito.
Três anos depois pintamos a cara, com tantos,
e fomos o arco-íris e a indignação.
Dessa vez a fortaleza ruiu diante de nossos olhos.
E só havia ratos depois dos muros.
A fortaleza agora está vazia. Ou povoada de fantasmas.
O caminho que conduz a ela passa por muitos lugares:
caravanas.
Pelas estradas empoeiradas,
pela esperança empoeirada do povo,
pelos mandacarus e juazeiros,
pelos seringais, pelas águas da Amazônia,
pelos parreiras, pelos pampas, pelos cerrados
e pelos babaçuais, mas sobretudo
pela invencível alegria
que o rosto castigado da gente
demonstra à sua passagem.
A revolução que acalentamos na juventude faltou.
A vida, não. A vida não falta.
E não há nada mais revolucionário que a vida.
Fixa suas próprias regras. Marca a hora
e se opõe diante de nós, incontornável
Os filhos da margem têm os olhos postos sobre nós.
Eles sabem, nós sabemos que a vida
não concederá uma terceira oportunidade.
Hoje, temos uma cara. Uma voz. Bandeiras.
Temos sonhos organizados.
Queremos um país onde não se matem as crianças
que escaparam do frio, da fome, da cola de sapateiro.
Onde os filhos da margem tenham direito à terra,
ao trabalho, ao pão, ao canto, à dança,
às histórias que povoam nossa imaginação,
às raízes da nossa alegria.
Aprendemos que a construção do Brasil
não será obra apenas de nossas mãos.
Nosso retrato futuro resultará
da desencontrada multiplicação
dos sonhos que desatamos.
(extraído do Caderno das Resoluções do II Congresso Nacional do PT)

No último domingo, o jornal Tribuna do Norte publicou pesquisa da Certus sobre "Avaliação dos...

antonia fernandes, Biologa
Parabéns Mineiro, pela coerência em sua prática política.
hudson alves, recepcionista
É isso aí, Mineiro. Tô contigo e não abro, meu voto é seu!!!!
ana lucia moreira , professora
Parabens deputado, fiquei feliz por nossa classe ter um defensor digno. A classe politica...


Cadastre-se para receber nosso informativo digital. Abaixo, leia as últimas edições.
