Foto: Divulgação
"Palavra pintada", título do livro do jornalista e escritor americano Tom Wolfe foi pego emprestado por Vicente Vitoriano para dar nome a nova exposição do arquiteto, doutor em Educação e artista plástico. As obras de Vicente poderão ser vistas no Núcleo de Arte e Cultura da UFRN-Nac, a partir de hoje. As obras ficam expostas até 23 de abril. A visita pode ser feita das 9h às 17h.
Palavra Pintada consta de uma série de trabalhos realizados em vários momentos do artista, acrescidos de outros feitos especialmente para a montagem em Mossoró, entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010, além de trabalhos inéditos. A idéia de organizar esta exposição, segundo Vitoriano, veio da observação de certa recorrência no uso de texto em seus trabalhos. “Em termos conceituais, a idéia cuidou de discutir, em parte, como Wolfe, a ascendência da teoria (crítica de arte) sobre a produção artística”, disse o artista.
Segundo Vicente Vitoriano a exposição tem uma abordagem mais literal. As pinturas são tratadas como palavras ou como letras, em que estas são tomadas como sinais gráficos, como desenho. Isto fica bem evidente na série “Mr. Duchamp handmade”. Num outro sentido, as palavras ou letras também podem assumir o sentido de “figuras” que são, então, pintadas, como nas séries “ABC” e “Monossílabas”. Nesta última, entram em discussão aspectos gramatológicos, puramente metalingüísticos, portanto, ao tempo em que apontam para o sentido verbal (semântico) das palavras usadas. Isto constitui uma terceira via de abordagem em que, também, o artista apela para o viés poético, ou mesmo teórico, do uso da palavra. Os últimos trabalhos realizados encontram-se dentro da acepção citada. “A série ‘ut pictura poesi’, por exemplo, remete à clássica proposição de Horácio de que a pintura é anterior à poesia ou que, literalmente, ‘a poesia é como a pintura’ e em certo sentido, superior a esta na função comunicativa ou na função de descrever ou representar a natureza. Já em ‘Quanta cor há na palavra?’, este título é escrito na tela como um verso”, explica.
Para a realização dos trabalhos, foram usadas muitas abordagens técnicas, que vão da aquarela e do desenho com hidrográficas a experimentações com acrílica, sejam tintas, vernizes, resina ou pó. A colagem assume um destaque por sua presença em várias séries, particularmente nas realizadas especialmente para a mostra. “A recorrência à colagem se deve, em parte, a uma filiação à arte pop, quando uso letras de EVA (emborrachado composto de etil, vinil e acetato) compradas prontas, o que, mais uma vez leva ao ready made e à Duchamp”, diz. Ainda segundo Vitoriano é por esta via material que a carga teórico-conceitual do projeto alcança certa trivialidade do universo da cultura de massas, mesmo que, a rigor, não “facilite” uma leitura óbvia dos trabalhos.
Fonte: Tribuna do Norte
muito grato pela divulgação, mineiro e equipe! venham visitar a exposição. estarei na galeria às segundas, à tarde, e às quintas, pela manhã. eventualmente, também às terças, pela manhã.

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