Através de um procedimento aberto para investigar o surgimento de lixões em Natal o Ministério Público chegou à constatação de que eles estão se proliferando. Pior: isso estaria acontecendo não só devido à ação de populares sem a cultura adequada da cidadania ou dos carroceiros que atuam na cidade. Mas empresas privadas e a própria Prefeitura de Natal estariam utilizando os depósitos irregulares para descarregar lixo.
Equipe da TN flagra caminhão da empresa TRA Distribuidora despejando lixo numa área da Chesf, no bairro do Bom Pastor“Os principais responsáveis são empresas que colocam seu lixo em terrenos baldios públicos e privados, mas também há carroceiros, a própria população e as terceirizadas. Temos vários processos com placas de caminhões de empresas terceirizadas jogando lixo em terrenos baldios”, explica João Batista Barbosa.
Além disso, a empresa responsável pelo aterro sanitário de Ceará-mirim – Braseco S/A - está há seis meses sem receber pagamento da Prefeitura de Natal. E de acordo com o promotor de Justiça, essa é a causa alegada pela empresa para a falta de investimentos no aterro. O que também é considerado fator importante para a proliferação de “lixões”. A dívida da Urbana com a Braseco está em torno de R$ 4 milhões, segundo o presidente da Urbana, Bosco Afonso.
O promotor sobrevoou Natal em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e observou vários pontos de acúmulo de lixo. João Batista ainda não tem o número exato de “lixões”, sendo esta uma das primeiras informações requisitadas à Urbana. Segundo a Braseco, o descarregamento no aterro, que levaria em média uma hora ou uma hora e meia, gasta pelo menos o dobro. O local do aterro precisa de mais células (área onde o lixo é aterrado) para que as filas diminuam e o processo seja mais prático. A falta de estrutura desencoraja o uso do aterro ou da estação de transbordo.
Essa questão esbarra em outra não menos importante: a falta de fiscalização. Como não há quem fiscalize, vários pontos da cidade viram verdadeiros “lixões” com toda a cadeia produtiva que os acompanha. Caminhões descarregam o lixo nos terrenos baldios que já têm catadores à espera. “É preciso coibir a proliferação desses lixões porque eles causam uma série de danos, econômicos e sociais. Tudo isso é motivo de prejuízos para a sociedade”, explica João Batista.
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou dois desses pontos de descarregamento de lixo, no bairro do Bom Pastor: um localizado num terreno baldio nas proximidades da Chesf, e outro na comunidade do Salgado, já perto do mangue do rio Potengi.
No primeiro, havia sete pessoas trabalhando. A maioria procurava material reciclável e um deles, Klênio da Silva, coletava restos de comida para servir de alimento para porcos. Segundo ele, que trabalha no lixão há um ano, o movimento de caminhões é intenso durante todo o dia.
Na comunidade do Salgado, as pessoas evitaram falar sobre o acúmulo de lixo, principalmente por conta das recentes fiscalizações no local. Lá algumas pessoas sobrevivem da coleta de material para reciclagem e um beco é usado pela própria Urbana para descarregar lixo, segundo moradores.
Numa segunda visita que a TN fez ao lixão da Chesf, uma das denúncias do promotor de Justiça foi flagrada pela equipe de reportagem. Um caminhão baú de uma empresa privada, TRA Distribuidora, Logística e Representações chegou pouco depois ao local, repleto de lixo. Pneus, caixas de papelão, plástico e documentos.
Todo o material foi jogado ali mesmo, a céu aberto, sem qualquer cuidado. Dois homens estavam no caminhão e o motorista quis disfarçar a origem do lixo. “É a primeira vez que venho aqui. O homem disse que podia jogar, eu joguei. Mas esse caminhão não é mais da TRA não, foi vendido para um rapaz. É que ele não pintou ainda”, e saiu em disparada.
Ocorre que entre o lixo jogado, havia centenas de notas fiscais da própria TRA. Mais tarde, uma funcionária confirmou que o caminhão de placas MZK-3906 era da distribuidora. Um funcionário que se identificou como Vantuir, disse que era encarregado do depósito e tentou explicar. “Esse não é nosso procedimento. Até porque temos uma lixeira bem grande e o carro do lixo vem recolher”. O rapaz disse que ia procurar saber quem autorizou o motorista a jogar o material no lixão e estranhou quando foi informado sobre as notas fiscais.
Fonte: Tribuna do Norte

No último domingo, o jornal Tribuna do Norte publicou pesquisa da Certus sobre "Avaliação dos...

antonia fernandes, Biologa
Parabéns Mineiro, pela coerência em sua prática política.
hudson alves, recepcionista
É isso aí, Mineiro. Tô contigo e não abro, meu voto é seu!!!!
ana lucia moreira , professora
Parabens deputado, fiquei feliz por nossa classe ter um defensor digno. A classe politica...


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