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09.12.2009

Leia declarações de Mineiro sobre o incentivo à literatura no RN

Enquanto as máquinas impressoras das instituições públicas (Fundação José Augusto e Capitania das Artes) estão em silêncio, as edições independentes se multiplicam nas poucas livrarias e nos raros espaços alternativos da cidade como o Sebo Vermelho. A cada semana um lançamento acontece. Exemplo disso foi a noite de segunda-feira quando o livro “Geringonça do Nordeste: a fala proibida do povo” de autoria de Geraldo Queiroz (editado pela UFRN), reuniu na livraria Siciliano mais de uma centena de pessoas que compraram o livro e formaram filas para o autógrafo.

A  média de publicação por ano dos espaços é de 20 a 50 livros, com exceção dos órgãos já citados no início da matéria. Mas, fazendo um balanço de 2009, só a Editora da UFRN publicou uma média de 50 livros  somente este ano. O Sebo Vermelho, segundo o editor Abimael Silva, lançou no mercado 29 títulos e traça uma meta de “chegar a 35 livros até o dia 31 de dezembro de 2009”.

Segundo a responsável pela Lei Djalma Maranhão, a Fundação Capitania das Artes,  lançou apenas um título através da Lei. Enquanto a Fundação José Augusto não informou o total de lançamentos deste ano a tempo do fechamento da edição do VIVER. Mas a média, segundo pesquisa feita pelo VIVER foi de aproximadamente três livros.

Enquanto o mercado alternativo está encharcado, as instituições públicas se calam e fazem falta no auxílio das publicações. Enquanto os autores consagrados da cidade conseguem manter suas produções, os escritores com menor notoriedade continuam escondidos, isso significa uma falta de oxigênio na literatura do Estado. “A literatura aqui não se renova. Essa é a grande preocupação. Restaram as iniciativas pessoais dos escritores e algumas editoras como o Sebo Vermelho, Flor de Sal, a editora Una de Marize Castro e a editora da UFRN. Essas quatro editoras fizeram um trabalho interessante. Os próprios autores não esperaram pelo poder público e me preocupo muito com os que não tem voz e ficam às margens dos órgãos públicos”, contou Tácito Costa responsável pelo blog literário Substantivo Plural.

Segundo ele, mesmo com todos os atropelos e omissão do poder público foi um ano positivo para a literatura. “Os autores mais importantes como Nei Leandro de Castro, Tarcísio Gurgel, Marize de Castro, Diva Cunha e os mais expressivos colocaram seus livros nas prateleiras e alguns nos sites virtuais. Com tudo isso, acredito que apesar desta omissão do poder público foi um ano muito bom para a literatura potiguar”, contou.

As leis e  suas fissuras

A Lei Djalma Maranhão lançou apenas um título este ano chamado “Contabilizando o desenvolvimento” de Marcelo Rocha Coelho. As leis mesmo sendo favoráveis ao desenvolvimento cultural da cidade, faltaram na literatura. Outra lei que não saiu do papel, “infelizmente” como contou o deputado estadual (PT) Fernando Mineiro foi a Lei do Livro. Seu orçamento seria de R$ 500 mil reais para tocar em frente projetos importantes na literatura do RN. “Essa é a prova que nem sempre se resolve o problema com leis. Ao mesmo tempo, existem estados que estão a todo vapor apostando na literatura. O governo do Ceará, por exemplo, vai investir 3 milhões em livros de autores cearenses nos próximos anos. É isso que está faltando aqui”, disse Tácito Costa.

Quanto à Lei do Livro, ela foi aprovada e precisava da liberação de R$ 500 mil para ser viabilizada. “Infelizmente por questões burocráticas não conseguimos concretizá-la. É uma lei que vem a suprir um pedaço desse quebra cabeça da literatura. Espero que seja viabilizada no próximo ano”, contou Fernando Mineiro, autor da Lei.

Dentro do projeto da Lei estão reedições de obras importantes na cultura do RN, edição e publicação dos prêmios literários do Estado e a aproximação do público nas bibliotecas. “Na fundação José Augusto existe um espaço chamada Biblioteca Hélio Galvão e não tem nenhum livro. Temos uma produção vasta e uma biblioteca vazia. Este é um retrato que não precisaríamos ter em nossa história”.

Na Lei, salões de literatura com reflexões literárias estão escritas, além de incentivar o hábito da leitura e o estímulo de novos leitores no Rio Grande do Norte. “É triste saber que não é só o nosso Estado em que a realidade da falta de incentivo e de leitores é evidente. Venho sempre aos lançamentos dos livros aqui na Siciliano e percebo que são as mesmas pessoas que frequentam este espaço. E depois do lançamento, quem lê esses livros?”, questiona Mineiro.

A pergunta é uma incógnita que deseja resposta por todos os escritores, leitores, editores e os que estão nesse mar aberto da literatura potiguar.

Concursos parados

Outro ponto estreito no tocante à literatura potiguar é a falta de continuidade dos concursos literários. Assim como em todas as áreas artísticas (quando os projetos são interrompidos de uma maneira abrupta), a literatura sofre do mesmo mal. Este ano não houve os concursos já habituais na cidade como Othoniel Menezes (poesia), Câmara Cascudo (prosa) que recebem uma média de inscrições de 80 livros. “Outro concurso que não aconteceu este ano e é um dos mais importantes do Estado é o Luiz Carlos Guimarães”, lembrou Tácito Costa. Com todas essas lacunas, o silêncio dá vez ao ruído alucinado das publicações bancadas pelo próprio bolso do autor.  Na visão de Abimael Silva, editor do Sebo Vermelho, da enxurrada de lançamentos deste ano, a preocupação é o critério de publicação das obras. “Tenho acompanhado muitos lançamentos e fico preocupado com o controle de qualidade dos livros de poesia. Tem muito excesso e muita bobagem”, disse o editor. Outra preocupação de Abimael é o acesso a essas obras recém lançadas. “Tenho notado que os autores se preocupam com o lançamento e esquecem do pós lançamento que é a verdadeira vida do seu livro. Querem vender livros caríssimos e esquecem de manter uma proporção de acesso aos seus leitores, isso é injusto”, completou.

Reportagem - Michele Ferret

Fonte: Tribuna do Norte

Tags: Cultura, Literatura, mandato na imprensa

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