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13.06.2008

Lei do livro pretende mudar hábitos dos potiguares

Marcelo Barroso

LITERATURA - Bibliotecas podem ser beneficiadas com Lei do Livro

13/06/2008 - Tribuna do Norte

Michelle Ferret - Repórter

Depois de esperar por nove meses para ser aprovada, a Lei da Política Estadual do Livro Henrique Castriciano está em vigor e pode ser a semente de transformação dos hábitos dos potiguares em relação à leitura.   

Criada pelo deputado Fernando Mineiro e publicada no Diário Oficial na última segunda-feira, dia 9, a lei tem por objetivo fomentar o desenvolvimento cultural, a criação artística e literária, reconhecendo o livro como instrumento para a formação educacional, além da promoção social e a manifestação da identidade cultural do RN. De acordo com o deputado, o vigor da lei poderá mudar a realidade cruel que a literatura do Rio Grande do Norte vive. “Em termos práticos o poder executivo terá que destinar recursos para publicações, melhorias das bibliotecas, além do estímulo à produção de autores naturais daqui, o que não acontecia”, disse.

O orçamento destinado a publicação de livros do Estado no ano passado foi de R$ 30 mil reais. Com base nisso, um livro simples, de porte médio, saiu a R$ 10 reais, resultando na produção de apenas dois mil livros.

Para modificar isso, os recursos deverão entrar no plano de orçamento do Estado no próximo ano e desde já se começa a pensar numa melhoria urgente das bibliotecas públicas, na difusão dos livros, além dos eventos  envolvendo a literatura. “A lei abre um diálogo da literatura com a educação e existe nela mecanismos  para modificar a cultura da leitura nas escolas, abrindo também uma grande rede de bibliotecas comunitárias”, disse.

Para que a lei aconteça será necessária a capacitação de pessoas e campanhas em prol da literatura. No Brasil existem hoje apenas dois estados que abraçaram esse tipo de lei, o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. “Pesquisei sobre essas leis antes de elaborar a nossa e percebi que o Rio Grande do Sul é o Estado que mais se lê no País. Isso não está relacionado diretamente à lei, mas é uma contribuição e tanto”, acredita Mineiro.

A necessidade maior da lei agora é sair do papel e contribuir para retirar o marasmo que a literatura potiguar passa atualmente, principalmente aos hábitos de leitura, além de preservar o patrimônio literário, bibliográfico e documental do Rio Grande do Norte.

De acordo com  pesquisa recente divulgada pelo Pró Livro  (www.prolivro.org.br) o número de leitores brasileiros está caindo a cada ano, sendo os leitores até os 10 anos de idade os mais ativos. E os que tem o hábito de leitura, colocaram como livro principal a Bíblia. Observando essa realidade, o deputado Fernando Mineiro lembra do poeta Carlos Drummond, quando ele diz que as leis não bastam. “Os livros não nascem nas leis. Eu lembro sempre dele, em todos os assuntos. Por isso acredito que para esse sonho acontecer vai necessitar do envolvimento de educadores, literários, escritores, escolas e toda a malha que envolve a literatura do Estado”, finalizou.


Bate-papo / Fernando Mineiro


A Lei do Livro propõe feiras e encontros. Qual a importância deles, na sua opinião?
As feiras são importantes, o Encontro Nacional de Escritores já movimenta a cidade e isso vai criando uma troca de experiências, vivências e  são financiados pelo governo. Precisamos agora de ações permanentes, ter um diálogo com a educação, com as bibliotecas, fazer a cultura transitar.


E quanto à editoração e distribuição de livros,  um problema sério aqui e no Brasil, quando muitos escritores precisam tirar do seu bolso todos os recursos para publicar, o que a lei mudará nesse aspecto?
Temos mais facilidade em editar do que distribuir, isso é algo que precisamos equilibrar. No Brasil tem mais editoras do que livrarias, não sei se é lenda, mas dizem que só a Cidade de Buenos Aires tem mais livrarias do que todo o Brasil. Aqui no Estado eu conheço 12 editoras e não conheço 12 livrarias. Algo desequilibrado. A lei propõe estimular a produção dos autores naturais do RN, sem prejuízo dos demais autores e promover a circulação do livro, além de oferecer condições para aumentar o número de livrarias e postos de vendas de livros.


E o orçamento para a realização?
Precisamos fazer um levantamento geral, ainda não temos noção de quanto será a execução da lei.

Fonte: Tribuna do Norte

Tags: Cultura, Lei do Livro, Literatura, mandato na imprensa

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