Ser protagonista de sua própria história, fomentar o diálogo e lutar pelos seus direitos e pelo desenvolvimento do Nordeste, tornando-se assim, um ator social ativo na construção de um país com menos desigualdades, e principalmente, livre das amarras do preconceito. Foi com esse sentimento que durante quatro dias, cerca de 1.200 jovens, vindos de todo o Nordeste, estiveram reunidos na histórica cidade de Quixadá, interior do Ceará, para participarem do II Festival da Juventude. Promovido pela Escola de Formação Quilombo dos Palmares (Equip) e Rede de Jovens do Nordeste (RJNE), o evento foi realizado de 30 de abril a três de maio.
Considerado um dos maiores eventos juvenis do Brasil, o II Festival da Juventude, reuniu mulheres e homens participantes dos inúmeros movimentos juvenis espalhados pelo Nordeste. Oportunizar o diálogo entre sujeitos tão diferentes, respeitando a diversidade numa saudável troca de experiências foram alguns dos elementos marcantes do evento, um verdadeiro espetáculo de sociabilidade.
Com o tema “Desenvolvimento Juvenil no Nordeste Brasileiro”, a Rede de Jovens do Nordeste acredita que afirmar os jovens como agentes políticos de desenvolvimento é um compromisso da sociedade e o Festival da Juventude conseguiu mobilizar as especificidades juvenis para o debate político sobre suas demandas, bandeiras e ações que buscam a melhoria da qualidade de vida dos jovens nordestinos, levando em consideração o contexto político vivenciado pela região, objetivando comprometer os estados, municípios e União com a realização de políticas que garantam cidadania plena à juventude.
Terra de gente hospitaleira e famosa por sua natureza exuberante, cercada de serras, a pequena cidade de Quixadá, com aproximadamente 77 mil habitantes, acolheu de braços abertos, os jovens participantes do evento. Recebida com um belo Sol na manhã do dia 30 de abril, após dias de chuvas intensas, a caravana do Rio Grande do Norte, primeira delegação a chegar, se mostrou muito confiante no sucesso do evento e na contribuição do estado para a construção do evento.
Segundo Marcelange Brito, educadora e coordenadora da Rede de Jovem do RN, é fundamental pensar os caminhos para o desenvolvimento da juventude no Nordeste. “O Festival parte do princípio de que a juventude é um agente político e transformador com potencial mobilizador de sua história pessoal e coletiva. O Festival traduz um momento impar na história das lutas brasileiras pelo desenvolvimento regional do Nordeste. Os jovens tiveram a oportunidade de somar esforços, trocar vivências e mostrar a sociedade que são mentes pensantes e que irão lutar por políticas públicas inclusivas e pela participação da juventude nas decisões das matérias relevantes para a sociedade”, conclui Lange.
E foi a juventude do Rio Grande do Norte que deu início ao II Festival da Juventude, num cortejo puxado pelo Grupo Pau e Lata da cidade de Pedro Velho. Os percursionistas Vitor Ribeiro, Franklin Adams, Danilo Stifelli, Thyago Oliveira, Wedson Jackson e Álvaro, deram um show tocando diversos estilos musicais, tais como, Maracatu, Xaxado e Coco de Roda, tirando o som apenas de tambores e latas. O cortejo saiu do Balneário Cedro Club em direção ao Palco Diversidade, localizado no Centro de Quixadá.
Participando, debatendo e realizando oficinas, a delegação do RN deu um show à parte com sua juventude. Os facilitadores que realizarão oficina foram: Leidiane Souza, Ilena Barros, Marcelange Brito, Maria Gerlane, Ana Amélia, Maria Antônia e Fátima Marques.
Após uma noite de integração entre as delegações, foi iniciada na manhã da sexta-feira, dia 01, as Câmaras Temáticas. Distribuídas em pontos estratégicos da cidade, as Câmaras serviram como um espaço de diálogo e interlocução entre os participantes nos mais variados assuntos, tais como: acessibilidade, convivência com o semi-árido, desenvolvimento do campo, cultura, direitos humanos, diversidade, educação, etnia, gênero, geração de trabalho e renda, meio ambiente, mecanismos de participação, mídia, segurança pública e raça.
No final da tarde foi realizada uma mostra de cinema, exposições, apresentações culturais e lançamento de livros. A programação do dia foi encerrada com o show da banda Forró do Bom, no Palco Diversidade.
Na manhã do sábado, 02 de maio, foram realizadas 24 oficinas temáticas nos três pontos de apoio disponibilizados pela prefeitura para o evento. Após o intervalo para o almoço, ao som do Grupo Pau e Lata, os jovens realizarão uma grande intervenção na cidade para mostrar o resultado obtido durante as oficinas. Essa foi a forma de explicar aos quixadenses o que o II Festival da Juventude estava se propondo.
A coordenadora do II Festival da Juventude, Cíntia Nascimento, lembrou que o evento é muito importante para a cidade. “Nós tiramos o evento de uma capital, já que o primeiro se realizou em 2002, em Recife, para mostrar que o interior também tem infra-estrutura para receber este evento. Quixadá é exemplo disso”, afirmou a coordenadora.
Embalados pela batucada do Pau e Lata, e entoando cantigas de roda, os jovens se despediram do II Festival da Juventude com a sensação de dever cumprido. “Agora é a hora de praticar e socializar nas nossas comunidades as experiências adquiridas durante o Festival. Foi muito significativo, aprendi muito com essa juventude”, finaliza Raquel de Medeiros, da delegação da Bahia.