Rio (AE) - O número de brasileiros que compõem a nova classe média, cuja renda varia de R$ 1.126 a R$ 4.854, chegou a 94,9 milhões de pessoas e ultrapassou pela primeira vez 50% da população, de acordo com dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), relativa a 2009. O indicador confirma uma tendência que já estava sendo apontada pela pesquisa mensal de emprego (PME) desde 2008, segundo informações da pesquisa “A Nova Classe Média: O Lado Brilhante dos Pobres” divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Consumidores da classe média são responsáveis por aquecimentoA pesquisa mostrou que de 2003 a 2009, um total de 29.063.545 ascenderam para a classe C, a chamada nova classe média. Somente entre 2008 e 2009, período da crise financeira internacional, 3 172.653 pessoas subiram para essa classe. “Essa classe já representa mais da metade da população e tem um grande poder político e econômico, pois detém o maior poder de compra da população”, afirmou o coordenador do estudo, Marcelo Nery.
De acordo com a pesquisa, o crescimento do País nos últimos anos está mais baseado em geração de renda do que em consumo. Enquanto o índice sintético de potencial de consumo aumentou 22,6% entre 2003 e 2008, o índice de geração de renda subiu 31,2%. Segundo Nery, isso indica a sustentabilidade desse crescimento. “Está prosperando mais o lado trabalhador do que o lado consumidor. Com isso, as empresas devem estar contentes, pois as pessoas vão poder continuar comprando”, disse Nery.
Segundo ele, esse movimento “é sustentável”. De acordo com Nery “não é só crédito e programas sociais, o Brasil foi para a escola nos anos 90, conseguiu trabalho com carteira assinada, está contribuindo para a Previdência , está investindo em computadores”, comentou.
Renda
A pesquisa revela que a renda média dos brasileiros cresceu 7,7% de julho de 2009 a julho deste ano. O porcentual é superior à média anual de 3,8% registrada de dezembro de 2002 a dezembro de 2008. A pesquisa mostrou também que o índice de Gini, que mede a desigualdade, recuou 1,4% entre julho de 2009 e julho de 2010, compilando dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE.
“A desigualdade continua em queda. O processo de emergência da classe média é sustentável e diferente da Índia e da China, que crescem economicamente, mas nem tanto com redução de desigualdade”, disse Nery. Ele comentou ainda que o forte aumento da renda registrado no período (de julho de 2009 a julho de 2010) também é resultado do fato de o País estar às vésperas de eleições gerais. Ele afirmou que este movimento costuma ocorrer em períodos que precedem a ida dos brasileiros às urnas para eleição presidencial.
Fonte: tribunadonorte.com.br

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