25.12.2008

O exército de ocupação

Micarla de Sousa, finalmente, revelou as identidades dos comandantes de seu exército de ocupação. Sem surpresas, pois antecipadas em notas e notas. Como também não surpreende a expressiva presença e força de conhecidos e notórios agripinistas em postos chaves da futura adminstração. Como eu já dissera anteriormente, o DEM, ex-pêfêlê, terceirizou a disputa de 2008 através da candidatura do PV. Agora, a contrapartida: ocupa os importantes espaços de planejamento, arrecadação de tributos e execução de obras, entre outros.

Como não poderia deixar de ser, o secretariado reflete as forças vitoriosas nas eleições passadas. Do Secretário de Comunicação ao de Planejamento e é a cara de Micarla e seus aliados. Quem esperava renovação de quadros em postos chaves talvez tenha se decepcionado. Ou não, como diria Caetano.

Formado seu primeiro escalão, a prefeita certamente “arregaçará as mangas” a partir do primeiro de janeiro pra colocar em prática as suas promessas de mudanças em nossa cidade.

Pós-eleições, Micarla e sua equipe borboletearam por várias cidades brasileiras em busca do conhecimento de experiências de governos. As visitas foram, todas, a cidades administradas pelo PSDB e/ou DEM, revelando simpatia e afinidade programática com uma determinada concepção de administração. Os tucanos se especializaram em entoar o cantochão do “choque de gestão”, transformando-o em verdadeira grife administrativa. Aqui um parênteses necessário: tal choque sempre se realiza pela busca do estado mínimo e pela supremacia das forças do mercado sobre as políticas públicas. Vamos ver se e como Micarla vai adotar o modelito tucano-pefelista.

A despeito de que a divulgação dos nomes à frente de sua equipe ser forte indicador dos rumos da administração Micarla, aguardemos suas ações político-administrativas e as confrontemos com o prometido em campanha e com as necessidades e demandas da população.

Não ficarei surpreso se Micarla e seus aliados gastarem os primeiros meses de 2009 em culpar a crise mundial e a administração Carlos Eduardo diante de decisões que vierem a ser tomadas.

Vou torcer, e cobrar, que as muitas promessas de campanha se transformem em compromissos e realizações de governo.

Mineiro

18.12.2008

Mudanças, para pior, na Lei do Piso Nacional do Magistério

O STF (Supremo Tribunal Federal) em sessão deste dia 17/12, promoveu mudanças na Lei n°. 11.738/2008, conhecida como Lei do Piso dos Profissionais do Magistério Público da Educação Básica.
Mudanças para pior, deve-se registrar.
O STF manteve o valor de R$950,00 (novecentos e cinquenta reais), mas, ao modificar os critérios para se calcular este valor, mudou totalmente o conceito de Piso.
Pela Lei, o Piso deveria ser integralizado como vencimento inicial a partir de 1°. de janeiro de 2010, sendo que aos vencimentos atuais deveriam ser acrescidos 2/3 da diferença, já a partir de 1°. de janeiro de 2009.
As vantagens pecuniárias só poderiam ser consideradas para o efeito de cálculo durante o ano de 2009, para iniciar a implantação do Piso (conforme o artigo 3°. e seus incisos e parágrafos). A partir de janeiro de 2010, o valor de R$950,00 (corrigido) seria referente aos vencimentos iniciais. As vantagens seriam somadas a este valor.
A decisão do STF mudou esta determinação, alterando o conceito de Piso estabelecido na Lei 11.738/2008.
De acordo com os Excelentíssimos Ministros do Supremo, todas as vantagens podem ser consideradas para efeito do cálculo do Piso. Isto quer dizer que os R$950,00 serão referentes não mais apenas ao vencimento inicial, mas ao somatório do salário básico mais todas as vantagens recebidas pelos profissionais do magistério.
Esta interpretação do STF, repita-se, alterou o conceito do Piso estabelecido na Lei n°. 11.738/2008, diminuindo sobremaneira a perspectiva de melhorias salariais do conjunto dos profissionais do magistério público da educação básica brasileira.
Outra modificação foi a derrubada do § 4°. do artigo 2°. da Lei, que trata da carga horária. Outra perda para a categoria. Como se sabe, este parágrafo trata da carga horária e estabelece o limite máximo de 2/3 (dois terços) dela para o desempenho em sala de aula e 1/3 para extra-classe. Com a decisão do STF, são os municípios e estados que definem a distribuição da carga horária.
Resumo da ópera: o STF modificou exatamente os itens que mais representavam avanços e melhorias para a educação brasileira, atendendo parcialmente o pedido dos governadores que promoveram a Ação Direta de inconstitucionalidade (ADIN). Parcialmente porque o STF considerou que o Piso é constitucional. Modificou o seu conteúdo, mas o considerou constitucional.
A decisão do STF não é definitiva. Ela é liminar, mas está valendo até que o Supremo analise o mérito da questão.
Isto significa que em 2009, a mobilização da sociedade brasileira deve ser redobrada para que esta questão seja incorporada à agenda do STF e dos governantes municipais e estaduais.
Teremos muitos embates sobre este tema em 2009. Nos preparemos para enfrentá-los.

Mineiro

Nenhuma Tag

13.11.2008

Piso Salarial Nacional ameaçado

O Piso Salarial dos profissionais do Magistério Público da educação básica corre sério risco de ser derrubado antes mesmo de entrar em vigor.
É que a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crucius (PSDB), liderou um movimento contra o piso e apresentou, junto com os governadores de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB), Paraná, Roberto Requião (PMDB), Mato Grosso do Sul, André Puccnelli (PSDB), e do Ceará, Cid Gomes (PSB), uma Ação Direta de Inconstitucionalidade - ADIN contra a Lei 11.738/2008 (Lei do Piso).

A lei que define o piso nacional em R$ 950,00 (novecentos e cinquenta reais) para uma jornada de trabalho de, no máximo, 40 horas semanais para os profissionais do magistério da educação pública básica com formação de nível médio, determina que ele entre em vigência a partir de janeiro de 2009.

A definição de um piso nacional para os profissionais da educação básica pública representa um avanço histórico na luta pelas melhorias da educação brasileira e se soma às demais conquistas da área, ocorridas nos últimos anos. A valorização do magistério passa, de forma inquestionável, pela garantia de melhorias salariais para os profissionais da área, assegurando-lhes condições materiais mínimas para o exercício de suas profissões.

A obrigatoriedade de instituição de um piso profissional pelos entes federados, para além da definição de seu valor, é profundamente positiva e necessária para a melhoria da educação brasileira.

A incorporação do conceito do piso salarial na contratação dos profissionais da educação pelo poder público deve ser entendida como um marco na luta pela valorização dos(as) educadores(as) brasileiros(as).

A ação dos governadores citados acima é um ataque a esta importante conquista da educação nacional. Lamentavelmente, quem hoje é contra o piso não declarou sua posição durante o processo de debate para a aprovação do então projeto de lei. Debate este, registre-se, que ocorre no Brasil há muitos e muitos anos.

AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE A IMPLANTAÇÃO DO PISO NO RN

No próximo dia 20 de novembro, às 9:00h, por sugestão de nosso Mandato, realizaremos uma Audiência Pública na Assembléia Legislativa, para debater a implantação do piso nos âmbitos do Estado do Rio Grande do Norte e dos 167 municípios potiguares.

A audiência que, conta com a parceria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação - SINTE e da Federação dos Trabalhadores em Administração Pública Municipal do RN -FETAM, será também um movimento de luta pela manutenção do piso, a exemplo de inúmeras iniciativas a nível nacional.

QUAL É O SALÁRIO DOS PROFESSORES DOS MUNICÍPIOS DO RN?

Durante a audiência do dia 20, divulgaremos um quadro dos salários recebidos pelos educadores nos 167 municípios do RN, e os da esfera estadual, com as projeções dos valores a serem pagos com a implantação do piso a partir de janeiro/2009.

Os dados servirão de subsídio para que os educadores exijam das administrações estadual e municipais o cumprimento da lei.

Esta é uma contribuição de nosso mandato para esta luta, que deve ser assumida por toda a sociedade.

Mineiro

10.11.2008

No Império, a esperança, também, venceu o medo

Não estou entre os que pensam ser indiferente para o povo norte-americano e para os povos “do resto do mundo” o resultado da disputa eleitoral que ocorreu nos EUA. Muito menos me iludo, achando que a vitória de Obama deslocará o Império do lugar e do papel que hoje ele ocupa na geo-política mundial. Mas seria cegueira não reconhecer o signficado simbólico e a espectativa de mudanças que esta vitória carrega em si mesma.

Impressionante a capacidade que teve a campanha Obama em despertar a força mobilizadora por mudanças da sociedade estadunidense. Aliás, mudança foi a palavra-chave de toda a sua campanha.

Exatamente por isto, por ser um candidato que conseguiu convencer a maioria da população norte-americana ser possível, e necessário, implementar mudanças de rumos naquele país, é que hoje Obama amanheceu o dia como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América. E por esta mesma razão ele foi alvo de ataques de seu advesário. Nos últimos dias, McCain investiu pesado no conservadorismo norte-americano, difundindo e incentivando toda forma de preconceito e medo de mudanças. Obama seria o socialista, o incentivador do aborto e da guerra racial, o criador de novos impostos, entre outros absurdos. Mas também lá no Império, a esperança venceu o medo. E qualquer semelhança com a história recente de nosso país não é mera coincidência.

Cá do meu canto, faço minhas as palavras de Saramago sobre a vitoria de Obama: “Pode suceder, e oxalá que assim seja, que o resultado final desta eleição venha a investir a população norte-americana de uma nova dignidade e de um novo respeito…”.

Mineiro,

Natal, 5 nov/2008

Nenhuma Tag

24.10.2008

De agora até 2010

Para além das avaliações sobre as causas de nossa derrota em Natal, devemos realizar um processo de debates internos que nos aponte os rumos e caminhos a seguir no próximo período político, que vai de agora até o processo eleitoral de 2010.

E este debate deve ser pautado à luz de duas premissas: a primeira, é a de que este deve ser um debate aberto, partidário e coletivo, que passe pelas instâncias e bases do PT e tenha como resultado o convencimento, a decisão e o envolvimento da maioria de nossos(as) filiados(as) e parceiros(as).

A segunda, refere-se ao grau de importância que deve ser dado, desde já, a 2010.
Sendo o próximo objetivo eleitoral do PT, a conquista de votos em 2010 não pode, entretanto, se constituir em agenda única e exclusiva de nossas atividades e energias políticas. Aliás, só chegaremos eleitoralmente fortes em 2010 se dermos respostas políticas às várias demandas da sociedade potiguar, incluidas aí as relacionadas e direcionadas aos governos dos quais participamos, nos níveis federal, estadual e municipais.

O PT em Natal e no Rio Grande do Norte precisa retomar, ou construir, seu papel protagonista na disputa política em seu mais variados aspectos e facetas, quer no âmbito da política no sentido estrito, quer no aspecto relacionado às disputas econômicas, sociais e culturais. Tem estatuto de urgência o reposicionamento do PT frente aos vários movimentos e manifestações sociais urbanos e rurais existentes em nosso estado.

O ano de 2010, política e eleitoralmente, será condicionado pela dinâmica da disputa de rumos da sucessão do Governo Lula. Fortemente polarizada entre uma aliança que se proponha consolidar e aprofundar o projeto implementado no período de 2002 a 2010 e as forças de oposição ao nosso governo, a sucessão presidencial ditará as articulações e as definições das alianças em cada estado.

A continuidade do processo de desenvolvimento econômico sustentável, o grau da estabilidade da economia brasileira frente à presente crise internacional, a diminuição das desigualdades sociais e culturais, entre muitas outras questões, definirão a manutenção do atual bloco partidário com vistas à disputa de 2010. O reconhecimento e a aprovação do Governo Lula por parte da maioria da sociedade brasileira influenciarão na definição da aliança e na formação da candidatura presidencial do bloco de forças políticas que disputará as eleições.

As chances de vitória nacional da continuidade de nosso projeto aumentarão substancialmente com a manutenção, em 2010, da atual base de sustentação do Governo Lula. Base esta, diga-se de passagem, que foi amplamente vitoriosa no primeiro turno das eleições deste ano.

O caráter nacional e vertical da disputa em 2010, ao tempo em que condicionará, será também influenciado pelas alianças estaduais.

Neste contexto, a articulação entre as secções estaduais dos partidos que formam a base de sustentação do Governo Lula poderá somar e contribuir com o processo nacional.

Assim, nossa agenda política local deve dar atenção ao processo de constituição da aliança entre os partidos que apoiam o governo do Presidente Lula e estão unidos lá em Brasília, mas que, aqui no RN, se encontram em lados opostos, envolvidos em fortes disputas paroquiais.

E esta é uma tarefa que não pode esperar para 2010. A forma açodada com que formamos nossa aliança em Natal, neste ano, nos ensinou que não basta que se tome uma decisão de tal porte sem que se realize um profundo processo de discussão e convencimento nas bases dos partidos, dialogando com os mais amplos setores da sociedade.

Isto posto, cabe às nossas instâncias partidárias iniciar, desde logo, este processo de debate interno, analisando a realidade política de cada município e região de nosso estado, indentificando os conflitos entre os partidos, buscando superá-los através do debate político e do convencimento. Qualquer outro caminho que não passe pelo amadurecimento político decorrente do debate estará fadado ao fracasso e à inviabilização da unidade local entre os partidos que hoje estão unidos lá em Brasília.

E que este seja, sobretudo, um debate coletivo, democrático e partidário, pautado por propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Norte.

Fernando Mineiro

Nenhuma Tag

17.10.2008

O Jornal de Hoje NÃO é responsável pela derrota de Fátima


Declaro, formal e solenemente e para todos os fins, e meios, que se fizerem necessários que o Jornal de Hoje e o JH Primeira Edição NÃO são responsáveis pela derrota de Fátima nas eleições deste ano da graça de 2008. A quem interessar, a minha opinião sobre as razões da derrota de Fátima estão expressas em artigo que escrevi sobre o tema, que pode ser lido em www.mineiropt.com.br/blog.

Entre outras razões, os JHs de primeira, de hoje e de ontens não são responsáveis pela derrota de Fátima porque eles não têm eleitores(as). Como se sabe, têm leitores(as) como eu, que os leio sempre. E nós, leitores e leitoras dos JHs bem sabemos que um jornal não elege nem deselege ninguém. Pelo menos nos dias de hoje, a despeito de que tem gente que ache o contrário. Aliás, cada vez mais, alguns jornais cumprem cada vez menos até mesmo a função de informar.

Leitores(as) que somos dos JHs, ao tempo em que sabemos que eles NÃO são responsáveis pela derrota de Fátima, sabemos também que seu proprietário e alguns jornalistas e colunistas votaram em Micarla. E isto não tem nada de mais. Exerceram um dos mais humanos, democráticos e cívicos dos direitos: o direito às escolhas. Não devemos, por isso, chamá-los de pevistas ou demoístas ou qualquer outros istas. Assim, também, é ridículo chamar os jornalistas que votaram em Fátima de “petistas”. Confesso, até gostaria que se filiassem ao PT. E se fossem petistas, qual seria o problema? Cá pra nós, este McCarthyism papa-jerimum é de uma mediocridade sem limites.

Leitores(as) assíduos(as) dos JHs, sabemos que estes jornais NÃO foram responsáveis pela derrota de Fátima. Mas sabemos também, por óbvio e evidente, que a grandissísima maioria das manchetes desses jornais, neste período eleitoral, foram contra Fátima e a coligação União Por Natal. E também aqui não vejo nada de mais. Afinal, os JHs são mercadorias de uma empresa privada que os vendem como querem e desejam. Registre-se que o proprietário desses jornais nunca escondeu de ninguém, e isto é elogiável, que eles são instrumentos radical e plenamente comprometidos com a iniciativa privada. E nós, leitores(as), sempre soubemos disso. Eu, por exemplo, também nunca escondi que sou assumidamente comprometido com as iniciativas públicas. E o legal do mundo é isso: a diversidade e o pluralismo de idéias.

O absurdo de tudo isto é que não se conhece um só petista que tenha dado qualquer declaração afirmando que os JHs foram os responsáveis pela derrota de Fátima. Aliás, darei um prêmio para quem me mostrar uma frase de qualquer petista que tenha dito uma bobagem dessas. E o prêmio, só pra valorizar, é a assinatura dos JHs, no período de 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012. Sem direito à reeleição, digo renovação.

Se nenhum(a) petista responsabilizou os JHs pela derrota de Fátima, quem então inventou, e com quais objetivos, este factóide pós-eleitoral?

Pra mim é óbvio: alguns jornalistas/colunistas do próprio jornal criaram e alimentam esta versão, na vã tentativa de que, ao repeti-la diariamente, ela venha a se tornar verdade. E não foi apenas pelo anti-petismo assumido desses senhores e senhoras. O objetivo é outro, igualmente óbvio: querem se valorizar junto aos vencedores das eleições em Natal. E para isto eles(as) inventaram os factóides da responsabilização e do linchamento, da vitimização, para que os vitoriosos reconheçam o papel exercido por cada um(a). Como se sabe, o lado oposto da moeda da derrota é o lado da vitória.

Ora, ao divulgar a versão fantasiosa e artificial de que alguém está dizendo que os JHs são responsáveis pela derrota de Fátima eles(as) querem, na verdade, aparecerem aos olhos dos novos e velhos poderosos/vencedores das eleições como os responsáveis pela vitória.

O plano é de uma lógica simplória e cartesiana. Dizer repetidamente que estão sendo responsabilizados pela derrota de Fátima e que estão sofrendo linchamento por parte de petistas é uma forma esperta de dizer que são os responsáveis pela vitória, sem dizê-lo diretamente.

Na verdade, não se busca, com estes factóides, a disputa da opinião dos(as) leitores(as) dos JHs sobre a avaliação da cobertura do processo eleitoral. Trata-se, isso sim, da busca, repita-se, de um reconhecimento, agradecimento e valorização dos vitoriosos pelas posições e opiniões ali publicadas.

Além disso, procura-se impedir e desvirtuar um debate necessário e qualificado sobre a qualidade da mídia em nosso estado. Debate este de grande importância para a sociedade potiguar, que deve ser pautado pela reafirmação do irremovível compromisso com a defesa da liberdade de imprensa e do direito à opinião livre dos(as) leitores(as). E este debate só ocorrerá sob o signo de respeito absoluto às opiniões divergentes. A desqualificação dos interlocutores é a confissão do desejo de fuga do assunto.

Vamos, então, combinar. Reafirme-se que os JHs NÃO foram responsáveis pela derrota de Fátima na exata medida em que NÃO o foram pela vitória de Micarla.

Fernando Mineiro - petista e leitor assíduo dos JHs e de outros tantos jornais. Porque sem eles, os jornais, jamais poderia entender um pouquinho desta cidade e dos interesses de parte de seus habitantes.

15.10.2008

A ética no jornalismo, na vida e os intocáveis


O blog Substantivo Plural, do jornalista Tácito Costa, precisa ser acessado e divulgado pelos que anseiam por um debate, substantivo e plural, sobre os meios de comunicação em nosso estado. Quem ainda não o acessou está perdendo uma boa oportunidade para se conhecer melhor como funciona parte deste universo que se autodenomina imprensa potiguar. E não deve ser muito diferente em outras partes do país ou do mundo.

Ali, em www.substantivoplural.com.br, vem ocorrendo, de uma forma inédita por essas terras, um interessante debate que tem muito a nos dizer e ensinar sobre ética no jornalismo local.
E este tema ganhou destaque e animação quando focou a participação de alguns donatários de colunas de jornais, TVs e blogs nas eleições deste ano. Bastou algum participante do debate chamar a atenção para o parcialismo e dirigismo de algumas matérias e colunas que logo veio a reação virulenta e furiosa dos “intocáveis” da imprensa potiguar: “isto é coisa de petistas derrotados”, “querem cercear a liberdade de imprensa”, é “linchamento de jornal” e outros exageros do gênero e mesmos baixarias contra quem pensa diferente. A intolerância diante do contraditório tem gerado reações raivosas, travestidas do clamor pela liberdade de imprensa. Se existe alguma tentativa de linchamento é contra os que estão dizendo que determinados(as) reis e rainhas da imprensa potiguar estão começando a ficar nus diante de um público maior.

Até compreendo o incômodo e desconforto de alguns(as) ao se verem despidos e descidos do pedestal da “imparcialidade jornalística”. É que eles(as) não compreenderam ainda que os tempos mudaram, inclusive nos meios de comunicação. Já se foi o tempo em que apenas eles(as) se comunicavam com o público e eram donos absolutos das versões sobre os fatos. Reagem furiosos contra as pessoas que percebem que, em seus espaços nos meios de comunicação, alguns desses senhores(as) exercem o direito legítimo, eu acho, de assumir a defesa de posições de candidatos(as) a ou b.

Sinceramente, não sei o porquê de tanta fúria diante da evidência dos fatos. Ah, os fatos! Palavrinha tão cara, literalmente, a determinadas pessoas. E as matérias de jornais, as manchetes, as agronotas, as fofocas impressas, os blogs, os panfletos anônimos estão aí, disponíveis na internet, para quem quiser fazer um balanço da cobertura das eleições/2008 por determinados(as) jornalistas/colunistas/blogueiros(as). Uma rápida visita ao que foi publicado/editado por certos veículos de comunicação e se constatará que a tão decantada imparcialidade na cobertura dos fatos, por determinados(as) jornalistas, tem na verdade o valor e a simbologia dos santos de pau oco.

Mas, na verdade, o motivo da fúria diante da constatação da parcialidade de determinadas posições reside no fato de que este debate joga luzes sobre o modus operandi de determinados(as) personagens da imprensa potiguar. Donatários, longevos ou não, de espaços na imprensa, se acham intocáveis portadores da verdade. Muitos até temem discordar de suas posições, temerosos de suas furiosas e desmedidas reações. Já ouvi muita gente dizer que não se pode discordar de determinados(as) senhores(as) jornalistas porque, senão, será escanteado dos veículos que eles controlam. Aqui, faço parênteses para reproduzir uma frase de Tom Wolfe, o autor de Fogueira das Vaidades, retirada de um artigo de Clotilde Tavares. Diz Tom Wolfe, “Só existem duas maneiras de fazer carreira em jornalismo: construindo uma boa reputação ou destruindo uma”. Pois eu acho que tem muita gente que acredita e age assim na imprensa potiguar. As reações raivosas, que tentam desqualificar os(as) interlocutores(as) objetiva fugir e desviar a atenção do debate central, qual seja: a relação entre mídia e poder, seja este público ou privado.

O debate em curso no SP tem chamado a atenção para aspectos nunca antes discutidos abertamente por estas bandas. Destaco aqui a confusão, pra dizer o mínimo, entre o trabalho em uma redação e o trabalho em assessoria vinculados a um dos poderes locais ou a grupos empresariais ou a gabinetes parlamentares. É evidente o conflito de interesses e a forte exigência de um alto grau de maturidade profissional. Via de regra, e infelizmente, prevalece o lado das assessorias. Dizem que tal situação decorre do fato de que aqui no RN se paga o mais baixo salário do país a um jornalista, que tem o piso salarial de pouco mais de setecentos reais. Se esta situação de baixos salários explica a legítima necessidade de se buscar outras rendas por parte dos profissionais, ela não pode justificar a parcialidade e o dirigismo das notícias. Até porque os(as) useiros(as) e vezeiros(as) deste tipo de postura não estão entre os(as) que recebem o piso salarial e nem formaram o patrimônio que têm apenas nos batentes das redações. Acho que se trata mesmo de uma questão de posicionamento político. E isto, posicionamento político, não faz ou traz nenhum mal em si. Ao contrário. Sinceramente, não sei o porquê desse deus nos acuda diante do fato de que as pessoas perceberam que alguns(as) de nossos(as) jornalistas/colunistas têm e assumem posições e preferências eleitorais. Senhoras e senhores, não se envergonhem da posição que tomaram nas eleições. Assumam suas posições e saiam do armário político. A verdade e a democracia agradecerão.
O debate promovido pelo Substantivo Plural não deve interessar apenas à corporação de jornalistas e que tais, mas a todos(as) que têm compromissos com uma sociedade verdadeiramente democrática. Que não se consolidará, desnecessário repetir, sem uma imprensa verdadeira e radicalmente livre.

Por isso mesmo, meti a colher neste angu de muitos caroços. E o fiz com a autoridade de quem, em duas décadas de vida pública, sempre teve uma boa e respeitosa relação com a imprensa, porque pautada por um só postura: assumir claramente minhas posições e responsabilizar-me, de forma intransferível, por elas. Em todo este tempo de convívio com jornalistas nunca “culpei” nenhum deles(as) por frases ditas por mim; nunca falei em off ou plantei notas, nunca deixei de responder às perguntas (mesmo que as respostas não agradem); nunca liguei para redações para reclamar de jornalistas, nunca contratei jornalistas que trabalham em jornais ou TVs, nunca exerci relação mercantil com nenhum deles(as) e, principalmente, nunca fugi de um debate. Enfim, nunca fiz nada além de minha obrigação como militante político.

Que este debate prossiga, com respeito às posições diferentes e não seja intimidado pela furiosa reação dos(as) que se julgavam os(as) intocáveis da imprensa local. Que bem fará à sociedade a criação de um Observatório da Imprensa Potiguar!

Fico aqui lembrando de uma frase de, eu acho, Otto Von Bismarck: “Os cidadãos não poderiam dormir tranqüilos se soubessem como são feitas as leis e as salsichas”. Eu acrescento: teriam pesadelos, os cidadãos, se soubessem como são feitas algumas notas em determinadas colunas de jornais e blogs potiguares.

Mineiro

09.10.2008

Duas razões para a derrota

O PT/Natal sofreu a mais dura derrota eleitoral em toda sua história: além de sermos mais uma vez derrotados na disputa para o Executivo, perdemos nosso espaço no Legislativo Municipal, onde tínhamos representantes nos últimos 20 anos. O reconhecimento da dimensão dessa derrota é condição inicial para realizarmos uma profunda avaliação dos fatos que nos levaram a ela.
Mais do que indicar responsáveis pela derrota, a avaliação que precisamos realizar deve nos apontar caminhos a seguir para que o PT, como uma instituição importante no cenário nacional, se coloque à altura de assumir um lugar de destaque no protagonismo político em nossa cidade.
E isto só será possível se realizarmos um debate o mais aberto e franco possível, onde todos(as) possam ser ouvidos(as). Aqui, então, a primeira tarefa para as nossas direções partidárias: instaurar o processo de avaliação das eleições 2008, incentivando a participação não só de nossos(as) filiados(as) mas, também, de simpatizantes e amigos(as) do partido.
Tenho ouvido explicações pra todo gosto sobre a nossa derrota. Todas procedentes. A pouca participação da militância, a não empolgação da sociedade, os índices de rejeição à candidata e à aliança, a falta de coordenação e de estrutura, a não participação de candidatos a vereadores(as), o desempenho nos debates, o marketing, a mobilização, a falta de propostas mais concretas, a não participação das lideranças dos bairros e demais movimentos sociais, o apoio de parte da mídia à adversária, etc.,etc., etc.
Acho mesmo que tudo isso, e muito mais, pesou e contribuiu para a nossa derrota. A lista dos motivos pode não ter fim, se focarmos o nosso olhar em questões pontuais. Mas penso que tais questões são consequências e não causas. Isto quer dizer que temos a obrigação de buscar as razões que determinaram que a nossa campanha fosse a que foi e não outra. E longe de mim entrar no terreno pantanoso do “se tivesse sido assim…” . Aliás, gosto muito daquele ditado que fala sobre como é bom e fácil fazer a foto ao lado da onça morta.
Voltemos, então, às tentativas de encontrarmos as razões da derrota, lembrando quem já nos ensinou que, nesta busca, é preciso ter o cuidado para que não se derrote a razão.
Penso que são duas a principais causas de nossa histórica derrota.
A primeira é anterior ao processo eleitoral em si. Refiro-me ao afastamento e isolamento de nosso partido em relação a grande parte da sociedade natalense. Venho, há tempos, falando sobre isto e aqui vou repetir: o PT precisa retomar o diálogo com a cidade. Existe um divórcio entre o partido e parcelas da sociedade local. O PT/Natal não conseguiu acompanhar as mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais ocorridas em nossa cidade neste início de milênio. A composição social do PT (em sua grande maioria formado por servidores públicos) é a mesma desde o seu início e isto o torna impotente para responder às atuais demandas da cidade. É preciso dialogar e interagir com outros setores, com os mais variados movimentos sociais e, em particular, com a juventude da cidade. O PT, para ser forte e representativo em Natal, deve incorporar e refletir a pluralidade e complexidade de uma cidade como a nossa. Após esta tragédia eleitoral espero que seja mais fácil falar sobre isto. Cabe à atual direção municipal promover um profundo processo de renovação do partido. Ou isso ou abdiquemos de fazer política em Natal.

A segunda razão de nossa derrota diz respeito à forma como foi feita a aliança da base de sustentação do Presidente Lula. Correta e positiva do ponto de vista político, a aliança acabou tendo conotação negativa perante a sociedade. O fato é que não conseguimos convencer a maioria dos(as) natalenses de que o nosso projeto era o melhor pra cidade.

Já no dia 6 de maio, três dias após o anuncio da aliança escrevi o texto “A hora e a vez do PT (veja aqui). Entre outras coisas, ali eu disse que

“….Para além das resistências, das dificuldades, dos atropelamentos das dinâmicas partidárias e dos caminhos tortuosos seguidos até chegarmos aqui, importa agora ressaltarmos a positividade e a importância dessa aliança e a grandeza das atitudes de renúncias das lideranças dos todos partidos envolvidos neste projeto.
É preciso ter a consciência de que, até o momento, tão somente iniciamos a organização de nosso time, preparando-o para o difícil jogo eleitoral. Mas o time ainda não está completo e precisamos conquistar mais parceiros.
Precisamos, sobretudo, convocar e convencer a jogar do nosso lado o mais importante ator desde jogo: o eleitorado natalense.
Engana-se quem pensa que aos (às) eleitores (as) está reservado apenas um lugar na arquibancada. Vencerá a disputa quem incorporar de forma ativa e participativa as mais amplas parcelas da população neste processo eleitoral. A unificação das direções partidárias em torno de um mesmo projeto é o passo inicial. E que passo foi dado ao conquistarmos a unidade das principais lideranças da base aliada do Presidente Lula! Agora, precisamos conquistar a sociedade natalense. E para isto é necessário que a unidade alcançada nas cúpulas partidárias se capilarize e se reproduza nas nossas bases de apoio, em cada bairro e cada rua de Natal.
Unificados que estamos em torno de um nome precisamos, urgentemente, nos unificarmos em torno de projetos político-administrativos para Natal. O debate programático ocupará um lugar decisivo na atual disputa eleitoral. A sociedade natalense se mobilizará ao lado das forças políticas que se identifiquem e dialoguem com seus anseios e aspirações”.

Disse mais, no mesmo texto.

“… Só depende de nós a elaboração e a apresentação de uma plataforma política capaz de convencer e apaixonar a sociedade natalense, criando um amplo movimento político, cultural e social que reafirme o desejo de avançar rumo à conquista de uma cidade saudável, socialmente inclusiva e economicamente sustentável.
E não partimos do zero. Os programas em andamento em nossa cidade, os projetos elaborados ao longo dos anos pelo PT e pelos partidos aliados, as propostas apresentadas pelos então pré-candidatos Hermano Morais e Rogério Marinho devem servir de ponto de partida para a elaboração de nosso Programa de Governo, concreto e realizável. Aliás, penso que deve-se convidar Hermano e Rogério para ocuparem lugares de destaque em nossa campanha.
Quando apresentei minha pré-candidatura ao partido, eu disse que minha intenção era animar a militância petista e contribuir para que o nosso partido assumisse um papel protagonista em nossa cidade, realizando os sonhos de toda uma geração de militantes. E disse, ainda, que abriria mão de minha postulação para qualquer petista que somasse mais apoios do que eu”.

Os resultados nos mostram que não tivemos competência política para construir os caminhos necessários à vitória. Que cada um de nós assuma a sua parcela de responsabilidade nesse processo.
Quanto à questão das candidaturas proporcionais, todos(as) sabem qual foi minha posição. Fui contra a aliança na proporcional porque previa que ocorreria o que, de fato, veio a ocorrer: perdemos nossa representação na Câmara.
Agora é achar o rumo, corrigir os erros e navegar nessas àguas turvas das derrotas. É de nosso ofício e opção sempre seguir em frente.
Vamos que vamos, que 2010 está bem alí, a nos espreitar.
Mineiro

02.10.2008

Venceremos

Nossos adversários, através de algumas penas de aluguel espalhadas em blogs e redações de jornais e TVs, tentam passar a idéia de que as eleições serão decididas no primeiro turno. A favor deles. Fazendo uso de uma falsa neutralidade, querem transformar opinião publicada em opinião pública.

Mas serão desmentidos no próximo domingo. Natal não retrocederá.

A qualidade de vida que ainda hoje resta em nossa cidade será preservada, pois impediremos que a especulação imobiliária vença. Os avanços políticos e sociais serão consolidados e aperfeiçoados. O desejo e sonho de uma administração pública participativa e transparente serão reforçados.

Nossos adversários tentaram nos imobilizar, manipulando a análise dos números de algumas pesquisas, mesmo sabendo que tais números registram posições que, quando divulgadas, já podem ter sofrido mudanças.

Porque conhecem a força mobilizadora e a capacidade de convencimento da militância dos partidos que formam a União por Natal, tentam nos derrotar à véspera, lançando mão de artifícios e baixarias. Mas venceremos, a despeito de nossas dificuldades e barreiras.

Eles serão derrotados não porque eu queira.

Serão derrotados porque o povo de Natal merece uma administração pública decente, comprometida com os avanços sociais que ocorrem no Brasil e no RN.

Serão derrotados porque nosso povo quer desenvolvimento com sustentabilidade, políticas sociais republicanas, democracia, controle e transparência da gestão administrativa.

Serão derrotados porque cada um(a) de nós construimos profundas relações com esta cidade e reagiremos diante dos riscos de ela ser entregue a quem não tem compromissos com os interesses da maioria de nosso povo.

Serão derrotados porque sabemos o quanto nos custa a preservação de nossos patrimônios público e natural.

Serão derrotados porque sairemos todos(as) às ruas neste dias que restam, com nossas bandeiras e estrelas no peito, disputando cada opinião e voto, a afirmar o nosso amor a este chão e o nosso mais profundo compromisso com o presente e o futuro de Natal.

Serão derrotados porque nos alimenta e nos move a convicção de que nosso povo merece uma feliz cidade.

Mineiro

Natal, 2 de outubro/2008.

25.07.2008

Terá impacto?

Já está no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, e no site do Ministério Público (www.mp.rn.gov.br), a denúncia contra 22 pessoas acusadas de fazerem parte do esquema de pagamento de propina durante o processo de votação do Plano Diretor de Natal.
Deflagada pelo Ministério Público Estadual, a chamada Operação Impacto resultou, após mais de um ano, na denúncia contra 13 vereadores e mais 9 pessoas, entre elas empresários e assessores parlamentares, arrolados como corruptos e corruptores. Só as conclusões do processo é que apontarão a culpabilidade, e a consequente punição, de cada um dos denunciados.
Dos vereadores citados, 12 são candidatos à reeleição. Quando se fala neste assunto, sempre surge uma pergunta óbvia: as denúncias terão impacto na reeleição desses vereadores?
Torço para que os envolvidos neste processo não sejam reeleitos. Mas, sinceramente, não ficarei surpreso se ocorrer o contrário. Até gostaria de estar enganado, mas penso que a maioria dos votos desses vereadores não muda de imediato diante de situações como esta. Infelizmente.
Isso não quer dizer que operações como a Impacto sejam inúteis e não levem a nada. Ao contrário. Ações como esta são de fundamental importância para o processo de aperfeiçoamento e consolidação da democracia e da cidadania. São politicamente educativas, mesmo que não resultem em imediata punição dos culpados. Isto porque, para além da revolta e da indignação, a sociedade amadurece, e pode se tornar mais atenta e exigente na escolha de seus representantes.
E o atual momento é bom para o exercício de separação do joio do trigo, tendo em vista estarmos em pleno processo eleitoral.
Se cada um de nós contribuir para a divulgação do que ocorreu durante a votação do Plano Diretor de Natal, a sociedade natalense escolherá melhor os seus representantes.
Nem precisaremos esperar pela decisão sempre demorada da justiça para ver a punição da “bancada do concreto”. No próximo 5 de outubro poderemos extinguir por completo a sua representação na Câmara Municipal. Basta que elejamos 21 vereadores e vereadoras que respeitem e honrem a nossa cidade. Simples assim.

 

Busca

. Blog Do Mineiro .

Todos textos deste website são posições pessoais do Dep Fernando Mineiro e possuem um registro Creative Commons License.